A sociedade contemporânea, em meio aos desdobramentos das Novas Tecnologias de Comunicação e Informação (NTCI’s), está inserida em um novo cenário social que provocou a reorganização da sociedade em duas modalidades sociais: os Incluídos e os Excluídos Digitais. Assistimos hoje a um aumento avassalador do desenvolvimento e utilização das novas tecnologias informacionais no cotidiano das pessoas e das organizações, fazendo com que a inclusão digital se constitua como pré-requisito chave à participação social e ao exercício pleno da cidadania. Segundo [SILVEIRA, 2003] as novas tecnologias e os frutos das revoluções tecnológicas tendem a ampliar o distanciamento entre ricos e pobres, no que diz respeito à aquisição de conhecimentos e oportunidades de melhorias das condições de vida e trabalho desses indivíduos, devido ao alto custo empregado para o acesso e posse dessas ferramentas, tendo em vista que neste século, o acesso as informações e aos conhecimentos são fatores determinantes para o desenvolvimento dos indivíduos, das comunidades e das nações [LOPES, 2007, apud MCNAMARA, 2000]. Portanto, não se trata simplesmente de não ter acesso as novas tecnologias, e sim a uma instituição social [LOPES -2007- apud WILBON, 2003]. Com a finalidade de minimizar essa exclusão social, que assola a grande parte da população no mundo, e principalmente nos paises em desenvolvimento, estão surgindo vários projetos direcionados para a “inclusão no mundo da globalização, da tecnologia e do conhecimento” [OKADA, 2001]. Instituições públicas (federais, municipais e estaduais), bem como, com as instituições privadas e organizações não governamentais (ONGs) estão desenvolvendo políticas para o acesso às NTCI’s. Na Paraíba, atualmente 51 cidades são beneficiadas com telecentros do governo federal, porém estes ainda não atingiram uma massa expressiva dos excluídos digitais do estado. É fato concreto que as NTCI’s, têm um potencial formidável para aumentar e enriquecer o conhecimento dos indíviduos, devido primordialmente à natureza descentralizada da Internet que possibilita o acesso e a disseminação dos conhecimentos. Sendo assim a inclusão digital configura-se como sendo uma das portas de entrada à inclusão social, tornando-se impossível diminuir as lacunas sociais existentes entre os entre ricos e pobres, sem a inserção das comunidades mais carentes às estas tecnologias. Referências Lopes, C.A (2007). Exclusão Digital e a Política de Inclusão Digital no Brasil – o que temos feitos?”. In: Revista de Economia Política de las Tecnologias de la Información y Comunicación, vol. IX, n.2, mayo – ago/2007. Okada, A. (2001). A Mediação Pedagógica e Tecnologias de Comunicação e Informação: Uma Caminho para Inclusão Digital?”. http://www.projeto.org.br/alexandra/pdf/R1_%20faeba2005_okada.pdf. Último acesso em Setembro de 2006. Silveira, S.A. (2003). Exclusão Digital – a miséria da era da informação. São Paulo, Fundação Perseu Abramo, pág. 1 – 47.
A sociedade da informação traz novas responsabilidades para todos os atores sociais nelas inseridos [FERREIRA, 2003], devido a tecnização, informatização e globalização da sociedade contemporânea. Os conhecimentos, no cenário emergente, passam à ganhar posições de destaque, sendo a matéria prima para aquisição de valores e de poderes, provocando assim, alterações na organização dos trabalhos e nas relações inter-pessoais entre os agentes envolvidos. De acordo com o Programa Sociedade da Informação, idealizado em 1996 pelo Governo Federal, pretende-se, por intermédio de serviços de computação, comunicação e informação, estruturar as bases para uma ação de alcance nacional, voltadas para sociedade civil, para a pesquisa, educação e setor econômico, com o proposito de construir uma sociedade mais igualitária [FERREIRA, 2003 apud MIRANDA, 2000]. Essas ferramentas de disseminação da informação podem seguir duas vertentes: as ferramentas estática (unidirecional), onde somente um agente emite o conhecimento/informação, e aos outros - receptor(es) - cabe o papel de somente assimilá-lo tendo como exemplo de sua aplicação a televisão, rádio, websites, entre outros, e as ferramentas dinâmica (ndirecional), onde é possível haver a troca de informações e conhecimentos entre todos os agentes envolvidos no processo (autor e receptor, receptor e receptor) gerando assim uma grande cadeira batizada por Manuell Castell (1999) de “sociedade em rede”. Porém o fator chave desse programa está concentrado em uma complexa plataforma tecnológica, pela qual se espera elevar o número de cidadão conectados à Internet, possibititando, desse modo, o amplo acesso à informação [FERREIRA 2003, apud, PIMENTA, 1998] gerando assim conhecimento, e este, por sua vez, gerando ainda mais informações, dentro de uma estrutura circular virtuosa [FERREIRA, 2003]. Existe varias ferramentas que permitem a concretização da proposta do Programa da Sociedade da Informação, entre eles pode-se destacar o Blog – permite a comunicação assicrona entre autor(es) e leitor(es), promovendo assim, suporte a gestão dos conhecimentos através de esforços colaborativos, aumentando assim os efeitos da disseminação da informação na rede -, Wiki – tipo de documento virtual colabarivo -, PodCast e VideoCast – midia digital onde você ouve ou assiste seus programas preferidos onde e quando quer de maneira síncrona ou assíncrona -, RSS, Orkut, Dispositivos Móveis, Lista de Discussão, entre outos. Portanto a democratização do acesso às ferramentas de disseminação da informação, constitui-se como ferramentas potencializadoras para desenvolvimento dos individuos, sociedades ou nações, eliminando assim, velhas barreias espaciais e temporais que limitavam o fluxo informacional entre às sociedades.
Referências
Ferreira, R.S (2003). A sociedade da informação no Brasil: um ensaio sobre os desafios do Estado. Ciências da Informação, vol 32, n.1, ISNN 0100-1965. http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010019652003000100004&script=sci_arttext&tlng=pt. Último acesso em Setembro de 2008.
Castell, M. A sociedade em rede. São Paulo : Paz e Terra, 1999.
Percebe-se hoje mais do que nunca, que é necessário e indispensável à sociedade contemporânea, como forma de ação do governo (Federal, Estadual e Municipal), a informatização das escolas públicas, como estratégia de diminuição das diferenças sociais entre alunos da rede pública de ensino com alunos da rede privada de ensino, no que diz respeito ao acesso e aquisição dos conhecimentos, uma vez que os avanços tecnológicos trazem consigo, profundas mudanças na forma de estruturação/formação dos saberes. É portanto, vital para qualquer nação à operação e manipulação destas novas tecnologias, para resolver problemas, tomar iniciativas e se comunicar com o globo terrestre. É com essa finalidade que o programa PROINFO (Programa Nacional de Informática na Educação) foi implatado no Brasil, para nortear o uso das novas tecnologias da informação e comunicação nos sistemas públicos de ensino, já que essas técnicas e modelos computacionais vêm sendo amplamente empregado como instrumentos de auxílio na busca do saber cognitivo, tendo em vista, que os computadores estão mudando à maneira de se conduzir as pesquisas e os modos de construção dos conhecimentos. A culminância deste projeto está no melhoramento da qualidade dos processos de ensino-aprendizagem, bem como, na diminuição das lacunas existentes entre a cultura escolar e o mundo ao seu redor, dessa forma as novas tecnologias da informação terão um papel bastante específico que é o de preparar um novo cidadão contemporâneo. Este programa implantado em regime de colaboração entre o MEC (Ministério da Educação e Cultura) e os governos estaduais, representados pelas SEE (Secretária Estadual de Educação), tem como diretrizes estratégicas: introduzir a informática nas escolas públicas para objetivos educacionais; promover o desenvolvimento da infra-estrutura de suporte técnicos de informática no sistema de ensino público; estimular a interligação de computadores entre as escolas públicas, para possibilitar a formação de uma rede ampla de comunicação vinculada à educação e incentivar a articulação entre os atores envolvidos no processo de informatização da educação brasileira. Cada Estado mediante a SEE elaborará um projeto seguindo um roteiro particular que deverá conter ou não especificações particulares (peculiaridades locais) para logo após ser encaminhado para o MEC, visando à sua análise e aprovação. Paralelamente ao projeto do Estado, cada escola deverá estabelecer seu planejamento tecnológico-educacional, com um horizonte de no mínimo 5 anos, indicando: objetivos educacionais; opções tecnológicas escolhidas em função das orientações do projeto do Estado; proposta de capacitação de recursos humanos; cronograma de implantação; identificação da contrapartida da escola, indicando possíveis fontes de financiamento quando da aprovação do projeto estadual. Desta forma as tecnologias contribuirão um tanto ou quanto para motivar os alunos à transcender sua realidade social, dando igual oportunidades de acesso à informação e consequentemente ao conhecimento, devido primordialmente a natureza descentralizada da Internet, que permite encontrar inúmeros acervos bibliográficos dando assim oportunidades iguais à alunos da rede pública de ensino melhorando às condição de vida desses educandos conforme é estabelecido na LBD 9394/96. art 2.
Segundo o MEC (Mistério da Educação e Cultura), a modalidade de educação a distância, no Brasil, obteve respaldo legal para sua execução com a implantação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) – Lei 9394/96 – que estabelece em seu artigo 80, a possibilidade de uso orgânico da modalidade de educação a distância em todos os níveis e modalidades de ensino. Art 80: O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os nivéis e modalidades de ensino, e de educação continuada [DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO – LEI 9394/1996]. Essa modalidade de ensino em cursos superiores, foi inicialmente implantado no Brasil para atender ao programa Pró-Licenciatura do Governo Federal, que objetivava a capacitação dos profissionais docentes (Municipais e Estaduais) que estavam em salas de aula e não tinham a habilitação especifica (Licenciatura ou quando apresentava nível superior em uma área diversa da que realmemente atuava) para o exercício da docência [CARVALHO , 2006]. Segundo Carvalho (2006) a educação a distância assume um papel fundamental neste novo século, na disseminação dos conhecimentos, proporcionando assim, a acessibilidade aos que estão excluídos do processo de educação formal. Diante à essa situação, inúmeras instituições privadas de ensino superior, apoiadas, legalizadas e regulamentadas pelo MEC/SEED /SESu , disponibilizam cursos superiores à margem excluída (seja devido a compromissos empregatícios, familiares, dificuldade de acesso devido a mobilidade geográfica a instituições de ensino presenciais, entre outros) da população para difusão/propagação dos conhecimentos voltados para o exercício pleno da cidadania e preparação/qualificação para o mercado de trabalho [DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO – LEI 9394/1996]. As instituições que fazem frente a esse tipo de ensino devem disponibilizar aos seus discentes meios de comunicação que permitam aos educandos resolver, como rápidez, questões referentes ao material didático e seus conteúdos, bem como, a aspectos relativos à orientação de aprendizagem como um todo, articulando o estudante com os docentes, tutores, colegas, coordenadores de curso e disciplinas e com os responsáveis pelo sistema de gerenciamento acadêmico e administrativo [SEED, 2007]. A estruturação dos cursos superiores a distância se faz pela presença de professores, tutores, técnicos-administrativos e coordenadores de cursos/núcleos que integrados forma o sistema complexo de estruturação de educação a distância. Ferramentas como o Moodle, Teleduc, entre outos, são muito usados nesses tipos de curso, justamente por proporcionar o acesso às informações referentes ao curso a partir de qualquer localização geográfica do educando e por permitir interações entre os agentes envolvidos de forma sincrona e assicrona, gerando assim, o conhecimento de acordo com as necessidades e condições de tempo e acessibilidade dos discentes. Essa modalidade de educação, por mais dinâmica/motivadora, centrada no educando e fortemente difusora dos conhecimentos, ainda não se encontra suficientemente madura para ser implantada na modalidade de educação básica (infantil, fundamental e médio), devendo ainda ser amplamente estudada, debatida e testada para se fazer presente em todas as fases do ensino conforme é pregado no artigo 80 da LDB.
Referências __________ (1996). Lei Nº 9394 Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Ed do Brasil S/A. pág 01 – 40. MEC/SEED (2007). Referenciais De Qualidade Para Educação Superior a Distância. Brasilia. http://beldillnunes.googlepages.com/educa%C3%A7%C3%A3o%C3%A0dist%C3%A2ncia. Último acesso em Agosto de 2008. Carvalho, Ana Beatriz (2006). A Educação a Distância e a Democratização do Conhecimento. In: CARVALHO, Ana Beatriz (Org.). Educação a Distância. 22 ed. Campina Grande: UEPB. V.1 p. 47-58.
A utilização de recursos computacionais na contemporaneidade, têm propiciado à produção e a troca de informações entre pessoas, empresas e governos em quantidades e intensidades crescentes, sendo um dos agentes determinantes à inserção e desenvolvimento pessoal na sociedade contemporânea [LOPES, 2007, apud MCNAMARA, 2000]. Preocupados com essa nova instância social, os governos (Municipais, Estaduais e Federais) e as entidades privadas de ensino estão inserindo na sua grade curricular, como forma de acompanhamento às tendências e exigências do mundo globalizado, o uso dos computadores no processo de ensino-aprendizagem. Porém, segundo Valente (1994), não só basta comprar computadores e disponibilizá-los em sala(s) de aulas às comunidades docentes e discentes das instituições, são necessários, acima de tudo, professores capacitados para usar os computadores e os sotwares disponíveis no meio educacional. Nesta perspectiva os softwares educacionais vêm ganhando grande destaque no cenário educacional, pois permitem aos educandos uma maior percepção multisensorial, acelerando e aumentando a compreensão durante o processo de ensino-aprendizagem [COSCARELLI, 1998 apudYAGER 1991], devido primordialmente a caracteristica multimídia desta ferramenta, permitindo assim, a utilização de muitos meios como textos, gráficos, sons, imagens, animação e simulação, combinados para se conseguir um determinado efeito [COSCARELLI, 1998 apud CASAS, 1996]. Muitas experiências realizadas, mostram que a utilização de recursos computacionais no processo de ensino-aprendizagem provocam nos educandos: estímulos à desenvolver habilidades intelectuais; interesse maior em aprender e a se concentrar mais nas aulas, provocando assim uma maior interação entre professores e alunos; à busca de maiores informações sobre um determinado assunto e de um maior número de relações entre as informações discutidas em sala de aula; a cooperação (solidariedade) entre os educandos [COSCARELLI, 1998] e acima de tudo, uma abordagem pedagógica focada no construcionismo (aprendizagem significativa) e não mais puramente no instrucionismo (professor como o detentor do conhecimento) oriundos do sistema de ensino tradicional[VALENTE 1994]. Sendo assim, fica claro que a informática educativa configura-se como uma poderosa ferramenta de apoio à aquisição de conhecimentos no processo educacional, necessitando para tanto de uma maior preparação/sistematização dos educadores para fazerem frente ao uso eficiente desta tecnologia no processo educacional.
Referências
Coscarelli, C.V (1998). O Uso da Informática Como Instrumento de Ensino-Aprendizagem. Presença Pedagógica. Belo Horizonte, mar/abr, 1998, pág 36-45.
Lopes, C.A (2007). Exclusão Digital e a Política de Inclusão Digital no Brasil – o que temos feitos?”. In: Revista de Economia Política de las Tecnologias de la Información y Comunicación, vol. IX, n.2, mayo – ago/2007.
Valente, J.A (1994). Diferentes Usos do Computador na Educação. http://usuarios.upf.br/~carolina/pos/valente.html. Último acesso em Agosto de 2008.